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Bubu está de Volta! Bubu is back

Sábado de carnaval voltando para casa a tarde para cuidar dos animais, muitas horas sem dormir, cansado de andar atrás de blocos e mesmo assim a cabeça a mil por hora dentro da condução que eu estava, sem cochilos para mim. Passei pelo lugar onde tive a última notícia da Bubu e pensei “Por favor meu Deus, que o criador da Bubu esteja errado e ela conseguiu comer, ou que tenha achado uma família que ame ela tanto quanto nós amamos ou ainda se ela morreu, que o período que passou viva tenha servido para ela poder cumprir alguma missão na terra. Obrigado pelo tempo que passou comigo e por ter me mostrado quantas pessoas seguem a BEAnimal e torcem por nós”. Continuei para casa arrumei os animais aqui, passei um tempo com eles, curti um pouco as crianças, tomei um banho e voltei para os blocos de carnaval da zona sul, mais algumas horas sem dormir, mas com amigos queridos e que cuidam de mim quando a tristeza aperta.

Acordamos depois do planejado, não fomos no bloco da manhã, só por hábito fui responder alguns emails da empresa, também interagir com o pessoal do facebook, tentar seguir a rotina mesmo sendo feriado. No meio de um email importante recebi uma ligação: “Oi, é a respeito de uma coruja…”, “Senhor, qual o tamanho dessa coruja?” “Ela é grande, está voando baixo e chorando o tempo todo, já faz uns três dias, dá até para ver a anilha dela”. Coração na boca, tensão, boca seca. A Bruna (razão do nome da Bubu) sugeriu que eu ligasse para outra amiga que mora perto de casa e trabalha com animais silvestres para ir antes lá enquanto eu me encaminhava até o local. A Gabriela animou-se, conseguiu uma codorna, um puçá e foi atrás da Bubu. Ao chegar no local pode me ligar e confirmar: “Yuri, é a Bubu, estou vendo ela.

Foram duas horas de ônibus e trânsito para chegar em casa, coração batendo apertado, lágrima nos olhos e muita oração: “Meu Deus, obrigado por me mostrar que ela está viva, obrigado por cuidar dela, por favor que o anjo da guarda dela e o meu possam conversar e fazer o que seja o melhor para nós dois, São Francisco de Assis, obrigado por cuidar dela, por favor, se puder fazer ela voltar pra casa eu agradeço muito”.

Cheguei em casa, peguei o carro, saí correndo e fui ao encontro delas, da Gabi e da Bubu. Espero que todos possam ter amigos assim que param a vida, param de trabalhar, param um domingo de carnaval para poder te ajudar só pra te ver feliz! Era ela, estava no topo de uma mangueira, uns 7m de altura. Nem toda meu treino circense ia ajudar aquela hora.

Segundo a inicação do criador eu deveria amarrar a codorna pelas patas fixar ela numa poita e esperar a Bubu descer, agarrar a codorna e antes dela conseguir levar o bicho eu pulava em cima. Entrei numa crise vegetariana: “Senhor, eu sei que é a natureza deles e sei que em casa eles comem animais mortos, mas eles chegam mortos lá, eu gostaria muito de que não fosse preciso eu ver essa cena aqui e que a Bubu erre a codorna e acerte minha mão enquanto eu chamo ela, se isso for possível eu juro que adoto essa codorninha para nossas aulas e apresentações didáticas com as crianças”. Contrariei o criador e fiquei com a codorna na minha mão tentando chamar a atenção da Bubu, o que de fato era efetivo, ela fazia menção de descer, olhava para o lado e se distraía com uma folhinha… Nada de Bubu descer por algumas horas.

Os vizinhos ansiosos, eu ansioso, todo mundo ansioso, menos a Bubu! Um dos vizinhos simpáticos achou uma gregópila (a bolota que a coruja regurgita de coisas que não digeriu da presa) embaixo do galho que ela estava, tinha fezes também, opa, ela realmente está caçando, era um pombo! O improvável aconteceu! Um bebê de 3 meses caçando sozinha! Seria mais difícil ainda fazer que ela voltasse para mim segundo o criador. Não está com fome, não tem interesse em voltar, e não foi nem treinada para isso. Bateu uma tristeza imensa mas a fé foi maior!

Um dos vizinhos simpáticos serviu como militar na amazônia e sabia fazer algumas técnicas de captura de animais, sugeriu um bambu maluco com uma ponta de Nylon e realmente parecia que ia funcionar, uma ponta de esperança. O amigo dele subiu na mangueira escorregadia e eu dizendo: “Amigão, prefiro a coruja solta do que causar a morte de alguém!!!” o Alexandre já estava em cima da árvore com a geringonça na mão e conversando com a Bubu com o maior carinho do mundo. E eu pensando: “Anjo realmente tem um monte de caras, obrigado Senhor por me cercar de pessoas boas e bem intencionadas”. Quando ele conseguiu chegar perto dela com o laço: um voo dela e meu coração saindo pela boca. Parou em cima de um telhado próximo à árvore. A vizinha estava lá e me deixou entrar sem nem perguntar meu nome, segui um dos senhores que estava me ajudando, ele colocou a escada, subi no telhado sem codorna, sem nada, só munido de esperanças e quando ela me viu abriu as asas e voou na minha direção! Acho que me emocionei nessa hora e fui tentar pegá-la em voo e ela desviou, parou numa árvore em frente ao telhado. Lágrima no olho, dessa vez de felicidade por eu ter sido reconhecido depois de 23 dias de sumiço.

Me ajustei no telhado, o Alexandre trouxe a codorna, ficamos frente a frente, Bubu, eu e a codorna. Eu colocava a codorna mais pra frente no telhado, balançava ela gentilmente pela cordinha, a Bubu olhava, piscava e cochilava. Entre um cochilo e outro eu colocava a codorna no colo, fazia carinho e pedia desculpa pra ela. O bichinho ficava em pé e bicava meu braço fazendo carinho, ajeitava as penas, cuidava do casaquinho de penugem e deitava na minha mão. Eu pensava: “Senhor, faça a morte desse bichinho ser o mais rápido possível e se Ela sobreviver eu vou adotá-la”.

Meia hora, Bubu cochilava, acordava, me via, balançava a cabeça animada, eu balançava a codorna e a Bubu voltava a dormir. Deixei a codorna no meu colo aninhada e comecei a conversar com ela alto em voz animada, fazendo festa: “Ahhh, fica aí né, dormindo de manhã, na farra a noite toda! Isso é vida pra levar? Parece o papai no carnaval! Toma jeito (batia palmas)! Vamos pra casa minha filha, já está na hora de acordar, são cinco da tarde agora! Vambora! (palmas)…” Ela entrou na festa que eu estava fazendo, saiu do galho voando na minha direção novamente. Eu controlei a emoção de vê-la ao alcance do meu braço: “Oi minha filha, vamos pra casa” rapidamente dei um bote e a peguei pelos pés.

Os vizinhos da casa ao lado batiam palmas, eu só conseguia abraçar ela chorar e: “Acabou minha filha, obrigado por ter voltado”, ela chorava e fazia carinho com o bico no meu rosto como fazia aqui em casa.

Rastejei pelo telhado com a Bubu e com o Zóio (nome da codorna que a Gabi batizou). Passei eles para os senhores que estavam me ajudando, desci pela escada e só consegui abraçar eles… Encontrei com a dona da casa e ela: “Coruja é meu animal preferido”. Acho que fiz bons amigos.

Coruja é meu bicho preferido

Coruja é meu bicho preferido

Estamos em casa, agradeço todos vocês mais uma vez pelo carinho e fé que tiveram por mim nos momentos de tristeza. Foram mais de 200 mensagens que recebi ao todo de pessoas do mundo todo (sim, MUNDO) de pessoas que eu nem fazia ideia que nos acompanhava. foram mais de 15.000 pessoas atingidas pelo facebook segundo nossas estatísticas, tivemos 20% dos nossos seguidores interagindo conosco nesse período. Além das visitas no site aumentando.

Hoje eu posso dizer que realmente Deus está no comando e ele sabe o que fazer e a hora de fazer. Graças a essa fuga eu tive noção de quantas pessoas REALMENTE nos seguem, quanta energia positiva é depositada em nós diariamente mesmo que não haja interação entre vocês e nós! Percebi que a responsabilidade da BEAnimal é muito maior que eu imaginava e que de fato somos queridos. Saí de um momento que eu me achava só para ter a CERTEZA de que estou acompanhado de todos vocês, pessoas incríveis que deram minutos, horas, pararam suas vidas para nos mandarem palavras de conforto, orarem por nós e o que eu tenho a retribuir é:

Funcionou! Vocês trouxeram a Bubu de volta de um jeito mágico, mas o mais importante, vocês trouxeram uma fé vibrante, incandecente e fervorosa de uma forma que eu nunca tinha vivenciado antes. O poder da pedido em grupo por um único objetivo foi lindo.

OBRIGADO A TODOS da minha família BEAnimal.

Acho que fiz bons amigos

Acho que fiz bons amigos

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