História da Bubu / Bubu´s history

História da Bubu / Bubu´s history

Quando uma coruja passou pela minha vida por um único mês e me fez repensar tudo o que eu acredito.

Em 21/12/2012 chegou no aeroporto nossa coruja BEAnimal. Seria treinada para educar crianças a respeito da ecologia e comportamento das corujas que nascem livres. Ela mesmo tinha nascido em um ovo numa encubadeira e foi criada pela mão do criador desde o primeiro dia de vida, jamais saberia o que é ter que sobreviver na natureza e provavelmente se um dia se perdesse da vista das pessoas que tomam conta dela morreria de fome por falta de experiência. Dia 17/01/2013, menos de um mês conosco, um desastre acontece, durante a chuva forte da noite abriu-se um buraco na tela de onde ela estava e provavelmente assustada e sem rumo ela saiu da nossa guarda para a mata que cerca nossa casa.

Eu tinha acabado de conferir como ela estava, tínhamos brincado um pouco, ela pegou meu dedo, pousou do meu lado, brincou comigo como dizendo: “Quase um mês juntos, já te considero família”. Era a hora de alimentá-la e pegar as araras para trazer para dentro de casa. Nesse meio tempo de ir buscar a comida e as araras aconteceu o inesperado, ao voltar para vê-la já não estava mais por perto. Busquei pelas redondezas, a chuva caía fina e molhando muito mais do que se pode imaginar. Pela primeira vez na vida tremi! Já quase morri em um acidente de carro, já tive que levar meu pai morrendo para uma UTI, já tive que segurar duas araras queridas enquanto morriam, sempre mantive a calma, dessa vez eu tremi. Senti minhas pernas bambearem. Sempre achei que isso era frescura, exagero, descontrole… De fato, descontrole, foi o que eu senti. Enquanto tremia subi no muro molhado, as lágrimas caiam pelo rosto sem que eu percebesse, achei que meu rosto estava molhado da chuva. Só dei conta de que eram lágrimas quando chegaram até minha boca retorcida de pânico e senti o salgado delas.

Num ato esgoísta e de raiva, revolta com Deus, Alá, Universo, Força, Poder Superior, ou qualquer coisa que nos valha, cujo nome não faz diferença mas guia nossas vidas eu bradei com ódio: “Senhor, nunca tive medo, sempre segurei sua mão pra onde queria me levar, nunca reclamei das agruras, MAS é só um filhote!!! Qual seu plano pra mim? Qual seu plano pra ele? Tem que sacrificar um bebê pra me mostrar o que? Senhor, essa é sua vontade? Que eu pare de trabalhar com animais? Que eu deixe um sonho de lado? Que eu siga uma vida ordinária? Se essa coruja não voltar em uma semana vou entender que sim, todos os animais que tenho sob minha guarda serão deixados na mão de alguém que cuidará deles e eu nunca mais encosto em um animal durante minha minha vida.” E com o ódio que me guiou essas palavras no momento eu desci do muro e fui buscá-la pela região, sem sucesso…

Sem saber o que fazer contactei a única pessoa que eu pensei na hora, uma querida amiga que sei que tem muita fé, pedi pra orar pela coruja, sentia que eu estava esquecido por Ele e não tinha força pra pensar em conversar, orar, meditar, elevar meu pensamento, eu estava com uma ferida imensa aberta dentro de mim. Queria que ela rezasse pela coruja, não por mim, eu já estava entregue, sem fé, dolorido no canto. Se alguém merecia alguma oração era a coruja.

No dia seguinte dei a triste notícia na nossa fanpage do Facebook. Não queria acreditar que essa história estava acontecendo. Eu sempre quis divulgar coisas boas, mostrar que existe um meio de conviver bem com os animais. Levar para o mundo uma palavra de carinho e esperança quando se trata de animais abusados psicologicamente e famílias destruídas pelo desconhecimento de convivência entre espécies. Dessa vez era diferente, era um desastre que eu estava anunciando. A perda de um animal querido, um filho de coração adotado e amado em um único mês.

Corujão de orelha Bubu / Bubu owl

quando uma coruja nos faz refletir/ when an owl made me think about life and God.

O que aconteceu então foi um milagre em si. As pessoas se mobilizaram, pararam seu dia, seu tempo, suas vidas para darem uma palavra de conforto, fazerem cartazes, compartilharem nossa dor e mandarem força para nós. São pessoas que só nos conhecem online, nunca nos encontramos, algumas só acompanhavam nosso trabalho silenciosamente (até aquele momento), e então saíram do casulo e falaram palavras doces e de esperança. Tinham fé por mim enquanto eu ainda estava de birra com Ele, como uma criança mimada fica com os pais. Oraram, fizeram promessas, torceram, mandaram pensamentos e energias positivas, perguntaram preocupados, ofereceram dinheiro para ajudar nas buscas, tudo isso sem pedir nada em troca!

Foram anjos que Ele mandou pra mostrar que eu não estou desamparado.

Antes da Bubu fugir eu andava meio desacreditado, triste e sem muitas esperanças para o nosso trabalho. Arrisco dizer que essa fuga foram Duas gotas d´água: 1 para eu ir até mais fundo no poço que eu estava, a outra para eu segurar na mão de todos vocês que se mobilizaram e entender que não estamos sozinhos. Ele não pode descer e pegar na minha mão, meu anjo de guarda não pode pegar nela tb, mas os anjos de cada um dos que enviaram suas palavras de carinho estavam lá ao lado de vocês pedindo que fizessem essa conexão por Ele e por mim.

Hoje quase uma semana depois da fuga gostaria de agradecer, primeiro a Ele por tudo o que aconteceu, afinal ele me conhece melhor que a mim mesmo e sabe a melhor forma de me atingir e me fazer ver outros horizontes. Depois a vocês que não desistiram e não desitem de nós da BEAnimal, acreditam na palavra que espalhamos e que estão ao nosso lado.

Gostaria de pedir perdão em público pela minha falta de fé particular no momento da fuga.

Dizer que não sei o que aconteceu com a Bubu, que as esperanças ficam menores a cada dia que passa, que a probabilidade da volta é menor, que como um pai perde um filho olha sempre para o lugar que ele sumiu eu sempre vou olhar para cima na esperança de ver um corujão de orelhas mais velho com uma anilha brilhando no seu pé esquerdo. Vou sempre acordar a noite com o latido dos cães esperando ver aqueles olhos imensos e carinhosos dizendo: “achei o caminho de casa, pode ficar tranquilo, estou bem”. Mas o mais importante, gostaria de dizer que não vou desistir dos animais, quebrarei a promessa feita no momento de raiva. Vou continuar no caminho que escolhi, por vocês que nos deram esse carinho todo.

No meio da confusão uma frase me marcou muito e gostaria de encerrar esse texto com ela:

Eu: Já fiz tudo o que é humanamente possível, agora está na mão de Deus.
Amiga: Yuri Sempre esteve na mão de Deus, o que nós temos é a falsa impressão de controle, no descontrole é que lembramos dEle.

À Bubu, amiga, filha e mártir para que eu pudesse entender algumas coisas mais profundas nessa vida. Que Deus esteja ao lado dela como está ao meu, que São Francisco de assis a proteja como nos proteje aqui em casa.

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Equipe BEAnimal

3 pensamentos sobre “História da Bubu / Bubu´s history

MarcelaPublicado em  10:13 am - jan 31, 2013

nossa que lindo… vc me fez chorar e lembrar dos meus amados bichinhos que acabei perdendo durante a minha vida. mas tenha fé ele sabe o que faz e a gente sempre segue o seu plano, seja chorando ou sorrindo e o que mais vale é olhar ao lado e ver que temos sempre temos pessoas boas nos apoiando sempre.

Audrey dos SantosPublicado em  2:14 pm - jan 31, 2013

sem palavras, só muito triste e pedindo pra Deus reservar o melhor pra vc e para Bubu

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