Como Treinar Seu Dragão

Como Treinar Seu Dragão

Postado em 23. jan, 2009 por Equipe BEAnimal em Dicas, Filmes

Ótimo filme, realmente devem ter contratado alguns treinadores para falarem sobre as reações dos animais. Fizeram vários paralelos dos comportamentos dos dragões com animais de várias espécies. As repostas de comportamentos dentre as várias espécies de animais reais variam muito, os desenhistas usaram essas diferentes respostas para ilustrar o que dragões imaginários e de espécies diferentes fariam em situações semelhantes.

Durante o filme, Soluço (protagonista) aprende a “falar a língua dos dragões” e como lidar com suas respostas naturais (como nós fazemos aqui em casa). Definitivamente um treinador nato, um tanto quanto imprudente, mas a licença poética tomou lugar nesse caso.

Minha única ressalva seria o fim (que óbviamente não mencionarei aqui por enquanto, esperarei sair de cartaz). Mas para quem puder prestar atenção, notem que: mesmo falando a língua dos dragões o instinto humano de mexer demais com a natureza fala mais alto e eles colocam tudo numa visão antropocêntrica de bem e mal!

Algumas questões para depois que virem o filme:
O que acharam do final? Mesmo que o dragãozão fosse “do mal” (dentro de uma visão humana da questão.)
Quais as consequências biológicas da ação dos personagens humanos?
O que provavelmente acontecerá nessa nova comunidade que se formou?

Que bom podermos aproveitar um desenho animado para questionar a biologia… Incrível.

Grande abraço, aproveitem o filme

Yuri Domeniconi
Biólogo Treinador de Dragões…

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2 Comentários

Thiago Carlotti

05. abr, 2010

SPOILERS DO FILME!! NÃO LEIA SE NÃO QUISER SABER SOBRE A HISTÓRIA!!

Eu adorei o filme. Ele foi diferente e divertido, apesar da história seguir fórmulas já testadas. E acho interessante o BEA utilizar o filme como catalisador de discussões sobre bichos de estimação, adestramento e etc.

Mas acho complicado discutir sobre o final do filme com um olhar mais “ecológico”. A trama entre os humanos e os dragões apontava desde cedo para uma união no final e o único meio de conseguir isso é com um inimigo em comum, então a escolha de um animal maior “do mal” é uma escolha que faz sentido à trama. A escolha por um animal vilão deve fazer referência, inclusive, a antigos contos vikings que certamente foram pesquisados pela equipe da Dreamworks. Histórias há muitos anos se valem de grandes animais bestiais como um inimigo a ser derrotado e por mais “antropocêntrico” que seja isso, não significa necessariamente um favoritismo de uma espécie em detrimento da outra. É simplesmente algo que vem de muitos anos antes, de inumeras histórias que já foram contadas antes dessa.

Acho legal puxar este tipo de discussão do filme, mas não podemos também exagerar. O animal em questão era digital e representava algo a mais do que mera espécie de dragão… ali ele representava um mal em comum que exigia a união das espécies para ser derrotado. Em uma época de conscientização ambiental é importante que todos tenhamos em mente a preservação do ambiente e ecossistema. Mas temos que separar bem as coisas para não se tornar um discurso maçante.

Entendo a lógica por trás do argumento do post, mas não vi mal no uso de um dragão maior e “malvado” como vilão… Foi simplesmente um recurso utilizado para contar a história.

admin

05. abr, 2010

Thiago, entendo a mecânica hollywoodana de mocinhos e vilões, também acho que era necessário um vilão em comum….

MAAAAAS, uma das propostas é discutirmos o que provavelmente acontecerá. Em sociedades complexas, como é proposta para os dragões, os postos são bem definidos. Quando um elemento da sociedade é “deposto” ou morto, outro indivíduo toma seu lugar. Será que existirá outro dragão mau? Será que era inibição por hormônios que acontecia? O que acontece quando essa inibição cessa?

A outra visão é a do antropocentrismo do Bem e Mal, qual é a garantia de que aquele animal imenso era mal? Se alguém destruísse sua casa, vc não ficaria irritado? Será que ele não era a “Rainha” da sociedade de dragões? Porque a técnica de “coçar queixo” não poderia ter funcionado? Foi agressividade de graça colocar em guerra a mesma espécie? Darwin diria: “A natureza vive em guerra”, mas existe um equilíbrio.

Quero deixar mais que claro que eu adorei o filme, achei incrível, me senti na garupa do dragão por vários momentos. MAS, gostaria de pensar em possibilidades… Não temos como mudar o que foi feito, mas podemos repensar o que será feito ainda!

Será que um inimigo comum sendo o frio insuportável, ou outro ente imaginário? Será que outro vilão, que realmente tivésssemos certeza que não estava chateado porque a casa dele foi invadida…?

Entendo a Dreamworks, mas penso muito na mensagem que é passada e o efeito que isso causa em nossas crianças.

Que acham?

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